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Descrição da região a que o grupo pertence:

 

A) Costumes:     

Freguesia de Pias e toda a sua zona geográfica, insere-se num vasto território, que vindo da Ordem de Cristo e da Ordem do Templo, evoluiu numa vasta panóplia de viveres, que ao longo dos séculos se foram enraizando nas gentes das zonas actuais, em especial no povo. Devido a sua situação, a Norte do Ribatejo mas, fazendo fronteira, na prática, com a Estremadura e Beira, e por isso herdando os seus usos e costumes que foram sendo misturados, desenrola vidas e actualizadas.

São pois originados pelo facto de Pias ser uma zona de transição onde os costumes residentes se adaptavam aos vindos de fora, ou eram apenas e simplesmente copiados a adaptados.

Dois dos costumes em Pias eram a apanha de azeitona e a vindima, que se fazia nas grandes quintas que existiam na região.    

 

B) Paisagem:

Podemos afirmar que o concelho de Ferreira do Zêzere é um dos concelhos mais bonitos da região.

Este concelho é limitado a nascente por um importante curso de água – o rio Zêzere que nasce a 1900m de altitude na Serra da Estrela, e que se funde com o Tejo em Constância. Foi o rio que deu o nome a Ferreira do Zêzere e é neste que se situa uma importante obra de Hidráulica – albufeira do Castelo de Bode (barragem situada no concelho de Tomar). O Rio é também a principal atracção turística da zona, permitindo aos seus visitantes deslumbrarem-se perante as fantásticas paisagens que são oferecidas.

Toda a região é muito acidentada e com estrutura geológica variada mas, não existem afloramento rochosos significativos e o subsolo é pobre, facto que influência a natureza do manto agrícola e florestal. A freguesia de Pias é limitada por várias serras, uma dela a serra de Santa Catarina.

 

C) Monumentos:

No nosso concelho existe muitos monumentos que devem ser referidos como a torre de Dornes, este exemplar da arquitectura militar medieval (séc. XII) apresenta como especificidade a sua rara forma pentagonal. Foi construída a mando do Mestre Gualdim Pais, sobre anterior base romana. Na verga da porta está uma inscultura representando escudos e lanças, possivelmente o aproveitamento de uma estela funerária visigótica.

A igreja de Areias, numa primeira impressão é de uma grandiosidade que não se estaria a espera de encontrar num templo rural. Nessa altura e freguesia de Pias era Vila, pois foi concedido por alvará em 25 de Fevereiro de 1534, em que englobava Chãos e Areias. As despesas desta igreja foi suportada por D. João III. O corpo central destaca-se dos laterais pelos cunhais a descoberto e pela elegância da sua galilé, obra do famoso arquitecto João de Castinho. No interior, além do intenso ambiente gótico, merece destaque a abóbada do altar-mor de feição renascentista, uma cultura quinhentista de N.º Sª da Graça com pintura original e de grande qualidade.

A nossa freguesia possui ainda hoje alguns monumentos de destaque, estando também que mesmos sendo construídos por habitantes da nossa aldeia, não estão na nossa freguesia como é o caso da Igreja de Areias, já referida anteriormente, o Hospital (não se sabe onde esteve implantado), etc.

Com as reformas administrativas e liberais, Pias perdeu a sua dignidade municipal mas, conserva o seu orgulhoso Pelourinho que impressiona mais pela sua imponência que pelo trabalho da pedra. Alguns autores dizem que tinha “por cimalha hua figura d´ome”, estando hoje desaparecida. A figura abaixo, mostra o pelourinho da nossa freguesia.

A ermida de São Marcos, um templo que merece ser visitado pela imagem de São Marcos de Madeira do Séc. XIV, em que o Apóstolo é representado, tendo aos pés o leão e nas mãos, encostando ao peito, um relicário.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A imagem de cima mostra, duas Pias onde os animais bebiam água. Diz o povo que estas Pias deram o nome à antiga Vila de Pias. Tem uma data de construção difícil de decifrar.

Por fim, a Igreja paroquial de S. Luís de Tolosa, da freguesia de Pias, foi construída, devido a Igreja de Nossa Sª das Arenas se encontrar muito longe da sede da Vila. Era constituída de três naves formadas por arcos de volta redonda, assentes em colunas toscanas em cinco tramos. O tecto é de madeira de três planos no corpo do templo e de caixotões, a  capela-mor é de azulejos do séc. XVIII (pintura a azul sobre esmalte branco) sendo a parte inferior de “Jarras” e a superior do tipo ”padrão”. O templo tem duas capelas laterais e duas colaterais. A capela do lado da Epístola é consagrado a Nossa Senhora dos Mártires. O retábulo existente nesta Igreja comporta duas pinturas sobre tábua. A da parte superior (em forma de meia- laranja) representa a coroação da Virgem e abaixo figura o episódio de Martim Moniz na porta do castelo de Lisboa em 1147. Esta pintura é atribuída a José de Avelar Rebelo e figurou na Exposição Documental do Museu de Arte Antiga. Podem ser identificadas as figuras do rei e do sacrifício da Martim Moniz.

No corpo do templo há troços de um silhar de azulejos misturados de vários tipos dos sécs. XVII e XVIII assim como a capela do lado da Epístola. Além de uma Custódia de prata doirada setecentista e de um cálice da mesma matéria há a registar nesse templo as seguintes imagens:

¨      Santo António, esta imagem representa o Santo com livro aberto e sem menino. É em pedra do Séc. XVI e encontra-se mutilada.

¨      Santo Amaro, de Madeira do Séc. XVI.

¨      S. Sebastião, em pedra do principio do sèc. XVI. Foi pintada e estofada posteriormente.

¨      S. Marcos, escultura da mesma época e da mesma forma pintada e estofada posteriormente.

 

D)Individualidades de prestigio intelectual:

 Sem dúvida, António Baião é e foi o maior vulto concelhio, formado em Direito, foi director do Arquivo da Tôrre do Tombo; sócio da Academia de ciências de Lisboa, do Instituto de Coimbra da Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos dos Arqueólogos Portugueses, do Instituto Histórico e Geográfico Pamaíbano e da Sociedade Luís de Camões.

Para o concelho de Ferreira do Zêzere e em especial para Pias o seu livro “A Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere” é a obra máxima.

Outra figura interessante foi Alfredo Keil, vivendo de passagem, muitas vezes em vales, pequeno lugar do concelho, aqui ensaiou pela 1º vez o actual hino Nacional, no lugar do Carril, na casa de ensaio pela então Banda Filarmónica Carrilense, hoje, Frazoeirense. Alfredo Keil, ainda nos brindou com a obra em verso “Tojos e Rosmaninhos” – Contos da Serra, onde de forma sublime nos descreve parte do concelho de Ferreira do Zêzere e alguns aspectos ligados à arte sacra e procissões. A ópera lírica “Serrana” invoca precisamente a Serra da Cabrieira.

Actualmente para além de existir alguns historiadores e arqueólogos a escreverem, em especial em jornais, texto sobre Pias e o concelho, a obra do poeta invisual de nome Sá Flores, em verso e em prosa, já vasta, satisfaz a lacuna existente até aqui.

 

E) Artesanato:

Quando as margens do Zêzere estavam cobertas do linho restou um saber que ainda hoje se traduz em belos trabalhos de linhos, executados na paciência laboriosa de velhos teares manuais. É nos mesmos teares que são confeccionadas as alegres e coloridas mantas de trapos, aquarela em que cada artesão dá largas á sua imaginação. 

Dos cesteiros e canasteiros, outrora abundantes resta um artesão, felizmente em plena actividade, que transforma o vime em arte. O fabrico artesanal de redes ou dos tradicionais barcos do Zêzere são actividades ainda vivas e que demonstram bem a importância do rio.

 

F) Outras indicações de interesse para o grupo e para a região:

Pias e o concelho de Ferreira do Zêzere, são dotados de um património natural e construído digno de realçar e obrigatoriamente serem apreciadas.

Os roteiros de Arte Sacra, começando pela Igreja de S. Luís em Pias, a admirável Igreja do Beco e a mística Igreja de Dornes cujo o orago é Nossa Senhora do Pranto, passando pelas inúmeras capelinhas e ermidas saltando depois para os percursos ligados a natureza, onde o rio Zêzere e a Barragem de Castelo de Bode são um cartaz de visita não esquecendo a observação das árvores a das mais variadas plantas formam um conjunto muito interessante para um cartaz de visita.

Por tudo isto, o Grupo, ao recordar todos estes interesses acaba por ser um bem divulgador do concelho.

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